Blog - Juliana Rabelo
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Como nasce uma ilustração (encomendada)

Maio 12, 2018 Falando de dicas

Oi, pessoas! Depois de ter feito uma das ilustrações mais desafiadoras dos últimos tempos, senti muita vontade de compartilhar com vocês o meu processo de criação dessa ilustração encomendada. Ao escrever esse post, pensei nas pessoas que estão começando a trabalhar com encomendas de suas artes agora, e também naqueles profissionais que não se sentem satisfeitos com os resultados finais de seus projetos encomendados. A gente sabe que tem uma diferença grande entre fazer um trabalho por vontade própria, e outro sob as exigências de uma outra pessoa, né?

Quando trabalhamos sob encomenda, temos de estar abertos às ideias e referências do cliente, e pôr em prática uma das funções mais bonitas do ilustrador: traduzir o que está apenas no plano das ideias para elementos de linguagem visual. Ser uma ponte entre o cliente e o expectador. Para isso, existem uma série de etapas possíveis que você pode seguir, desde a recepção do briefing até a finalização do projeto; aqui, elenco os passos que segui especificamente no projeto da Patrícia (uma espécie de estudo de caso), que você pode conferir na íntegra lá no portfolio 🙂

Processo interno

Essas são as etapas que faço “só pra mim”, sem apresentar para o cliente.

A coisa mais importante é você entender, de fato, do que se trata a ilustração: quem é o público, qual a utilização, a finalidade, que sentimentos devem estar representados, etc etc. Isso geralmente se dá através de um briefing enviado pelo cliente. A encomenda da Patrícia envolvia a criação de três quadros que contassem uma historinha sobre a sua família e o nascimento do Matias, o primeiro filho do casal. A ideia era inserir as personagens em um contexto lúdico, com cores pastel (as ilustrações seriam penduradas no quarto do recém-nascido), ambientadas na temática das bicicletas.

Pesquisa

Ao compreender a temática da ilustração, tratei de pesquisar os mais diversos tipos de bicicletas, incluindo seus adereços como cestinhas e acessórios de proteção; além da pesquisa imagética sobre a bicicleta em si, procurei por perfis de ciclistas urbanos pra conseguir um repertório de roupas apropriado e harmonioso com o restante da ilustração.

Estudos (dificuldades)

A encomenda da Patrícia envolvia dois tópicos bem difíceis de desenhar, pra mim: a bicicleta, em si, que nunca tive muita paciência pra aprender – e aí foram dias de estudos de proporções; e em um quadro específico, as personagens em uma cena de beijo. No estilo fofinho, até então não tinha representado pessoas se beijando, e precisei fazer vários estudos até encontrar uma solução que combinasse com o estilo do meu desenho. Acima, duas das páginas de estudos de bicicletas e seus detalhes; aqui embaixo, vocês podem dar uma olhada na página inteira de sketchbook que dediquei a isso, incluindo os erros e acertos. 🙂

reparou a anotação ali no cantinho? foi um help bem grande que recebi da Júlia

Layout + variação de Alternativas

Estando segura da construção dos personagens e dos elementos que iriam compor os quadros, passei para a etapa de layout, que basicamente consiste em estruturar um esboço da ilustração, para que sejam estabelecidos a composição, os espaços e proporções entre cada elemento dentro da folha. Gosto de fazer esses esboços bem livres, geralmente usando caneta esferográfica ou lápis colorido em papéis comuns, mesmo.

Gosto de fazer esses layouts para estudar bem todas as possibilidades e escolher a minha favorita, e isso também me ajuda na próxima fase, servindo como uma espécie de guia para eu desenhar dentro daqueles padrões já escolhidos.

Processo de exposição

A partir daqui, todas as etapas são apresentadas para o cliente, que tem direito a um limite de alterações por etapa.

Lápis

Com os layouts definidos, agora é hora passar o desenho final pro papel, à lápis, pronto para ser apresentado para o cliente. Em alguns quadros, eu precisei desenhar alguns elementos separadamente, recortar e colar manualmente, e fazer a edição no Photoshop! É gambiarra que chama, né?

Esses foram os lápis aprovados pela Patrícia:

Finalização

Com todas as cores preparadas, vem a parte mais gostosa: colorir! 🙂

Uma coisa que sempre faço são os testes de cor: em um papelzinho de rascunho, testo todas as cores antes de passar pra ilustração finalizada; no caso desse projeto em específico, onde temos a repetição de personagens e precisamos de uma paleta de cores consistente, eu fiz cada cor separadamente em uma cavidadezinha do godê, e tratei de colorir as três peças no mesmo dia, para não perder a propriedade das cores feitas.

Uma coisa importante é que eu só consegui realizar todas essas etapas com calma porque combinei um prazo bem mais demorado que o de costume com a Patrícia (brigada, Patrícia!). Em projetos de prazo mais apertado, eu acabo acelerando e/ou pulando algumas dessas partes do processo. Sempre que possível, estabeleça um prazo honesto onde você possa trabalhar com calma e entregar o projeto em tempo hábil.

Você não precisa seguir, obrigatoriamente, todas essas etapas – com o tempo, vai descobrir o que funciona melhor de acordo com cada encomenda.

Espero que esse post possa servir como um guia pra você, e te ajude nesse processo de criar a partir das ideias e expectativas de uma pessoa totalmente desconhecida 🙂

Se você já trabalha com ilustração por encomenda, me conta aqui nos comentários como você organiza seu processo? Vamos trocar figurinhas! 🙂

~~~

Links úteis:

 


Linogravura: materiais e experimentos

Março 27, 2018 Falando de linogravura, Equipamentos, Experimentos, dicas

Já fazia um tempo que eu andava muito curiosa sobre as técnicas de gravura, mas foi esses dias que me deu o estalo de explorar o universo da linogravura. Eu corri pra pedir ajuda pro Chastinet, que tem bem mais experiência do que eu (inclusive com xilogravura, inclusive sigam ele lá no instagram), e no mesmo dia torrei meu dinheirinho com os materiais e passei uma tarde lá com ele aprendendo as técnicas básicas.

Então, uma coisa importante pra vocês saberem é que não faz nem uma semana que tô estudando linogravura, então tudo que vou compartilhar por aqui são as coisas que o Chastinet me ensinou, coisas que eu vi em outros sites na internet (compartilho alguns no fim do post), e meus experimentos iniciais, com muitos erros, alguns acertos e muito aprendizado.

Materiais

A linogravura é uma técnica ímpar, que pertence ao grupo das gravuras, e requer materiais específicos para sua execução. O trabalho é aparentemente simples: tudo o que é cortado não será impresso, o que leva a gente a experimentar pensar no preenchimento das imagens de maneira negativa, “invertida”. Aqui em Fortaleza, eu encontrei todos os materiais na Uniart (#nãoépublimaspoderiaser). Pra quem mora em outras cidades, dá uma conferida nesse post, com algumas indicações de lojas online! 🙂

Suporte

A plaquinha onde você vai fazer a gravação (ou seja, “cavar” o desenho) se chama linóleo. Também é possível fazer esse processo em um material também borrachoso chamado neolitio, que é mais barato e pode ser encontrado em loja de sapateiro. Na foto acima, onde estão as minhas primeiras matrizes, os dois passarinhos foram feitos no linóleo, e o gatinho foi feito no neolítio.

Qual a diferença? Eu achei o processo de gravação no linóleo mais fácil, precisei usar menos força. Porém, ele se despedaça bem mais que o neolitio (mais difícil fazer cortes delicadinhos e/ou muito próximos um do outro). A cor no neolitio dá uma mudada à medida que vamos cavando, então para projetos mais complexos, isso pode ser um facilitador.

Dica: use um material aderente embaixo da placa na sua mesa quando for gravar – isso evita que a plaquinha deslize, e você precise colocar ainda mais força para segurá-la na mesa. Eu tô usando papel paraná, já ajuda bastante. Vi nesse post que também pode ser aqueles tecidos de borracha!

Goiva

Eu comprei essa goiva da Speedball, que vem com cinco goivas diferentes no kit. As pontas são em formato de V, U, e nesse kit tem também uma navalha, de corte reto. Elas vêm todas dentro desse recipiente de plástico que é o corpo da própria goiva, e cada uma delas possui uma propriedade diferente quanto à abrangência (o quanto de área é possível cavar – áreas pequenas, áreas grandes) e ao acabamento; as pontas em V e a navalha, por exemplo, garantem cortes mais geométricos, “duros”, enquanto que as pontas em U permitem acabamentos mais orgânicos.

Dica: quando for gravar, muito cuidado pra não se cortar! Tente fazer os movimentos com a goiva na direção oposta das suas mãos.

Dica II: você pode separar um pedacinho pequeno da sua plaquinha pra testar cada uma das pontas: tentar fazer linhas mais retas, mais curvas, longas e curtas.

Tinta

A tinta recomendada para linogravura é a serigráfica. A Speedball tem essas bisnaguinhas de 37ml em várias cores diferentes, mas acredito que aquelas que vendem em lojas de serigrafia, dentro de baldes, também funcionem (e devam ser até mais baratas!). Eu ainda não testei outras tintas, mas penso que elas têm de ser bem consistentes, dada a quase nula absorção do linóleo.

Rolinho

O rolinho pra linogravura é diferente de todos os que já vi: ele tem a área de rolagem dura! Mas sinceramente, o que mais gostei é que ele tem esse “suporte” na parte inferior, que serve pra apoiar o rolo na mesa sem sair melecando tudo de tinta. Né incrível? Quando os utensílios de cozinha vão se utilizar dessa ideia?

Como falei antes, a tinta serigráfica é bem espessa, então ela precisa se “abrir” para poder ser aplicada na matriz. Pra espalhar melhor a tinta, escolha uma superfície plana, rígida e não-absorvente; eu tô usando esse objeto caríssimo chamado tampa de tapaué perdido. Você pode usar uma espátula e depois passar o rolinho pra ir deixando a tinta mais “fina”. Fazer movimentos curtinhos e em várias direções ajuda a preencher o rolo mais rápido. A quantidade “certa” de tinta – é algo que ainda tô tentando aprender – é o suficiente pra cobrir toda a superfície do rolo, com uma certa transparência, mas sem excessos.

Dica: o rolinho, bem como a superfície onde você vai espalhar a tinta, precisam estar bem limpos, livre de poeira, porque essas sujeirinhas podem entrar nos buraquinhos da sua matriz, “entupindo” e/ou fazendo marcações indesejadas, o que pode comprometer a peça.

Impressao (papéis)

impressão na linogravura nada mais é que o momento do “carimbo”, quando você vai passar o que tá na matriz pra superfície escolhida. Esse bloco da Canson vem com folhinhas de várias cores, legal pra você testar o efeito das suas tintas em cada uma delas.

Tô registrando todos os meus estudos e experimentos nesse caderninho colorido da Miolito, que mostrei nesse post. É legal que cada cor de folha dá um resultado diferente! 🙂 Pra quem não conhece, a Miolito é a lojinha da dupla Cajila + Felipe, que produzem caderninhos encadernados à mão com o acabamento mais impecável que já vi. ♥

Também testei no papel de aquarela com e sem textura, em papelão e em papel de scrapbook, mas o que mais gostei foram esses papéis que falei acima. Imprimir num papel mais levinho é bem mais fácil, tô inclusive querendo testar no papel pólen, que é meu favorito, e também no tecido.

Dica: é preciso um pouquinho de força pra transferir a gravura pro papel. Existe um equipamento apropriado, chamado barren, que é uma espécie de prensa manual, mas não achei pra vender no Brasil. O Chastinet usa uma colher de madeira e vai “distribuindo” a força pela matriz, eu uso qualquer objeto pesado que vejo na frente; meu melhor resultado até agora foi pressionando com o cabo de uma tesoura.

Meus experimentos

Como falei no comecinho, eu ainda tô descobrindo e experimentando linogravura, e isso quer dizer que temos um percentual maior de erros do que de acertos até então, hehe. Mas aqui estão minhas primeiras tentativas, espero que vocês curtam dar uma olhada. 🙂

Referências & links úteis

O Pinterest, como sempre, é um terreno muito fértil pra gente adquirir conhecimento, né? Se você buscar por linocut, vai pirar ♥ Eu fiz uma pasta com minhas referências e algumas dicas, tá aqui pra quem quiser seguir. 🙂

E abaixo, alguns gravadores (eu achava que chamava “linógrafo”!) pra vocês se inspirarem:

E é isso! Sei que o post ficou longuinho, mas quis deixar tudo o que aprendi até agora registrado e compilado em um canto só. Espero ter esclarecido as dúvidas de vocês e, quem sabe, ter despertado a vontade de experimentar linogravura também! :~)


sketchbook #17 – autorretratos

Fevereiro 18, 2018 Falando de Sketchbook

acabei me desenhando alguns anos mais velha sem querer!

Eu sempre gostei de fazer retratos – me encanta a complexidade de detalhes que uma forma aparentemente simples (como o olho humano) pode ter. Mas o autorretrato sempre foi um desafio – sempre tive muita dificuldade de me desenhar; procurando aqui no blog, encontrei alguns autorretratos que fiz em momentos diferentes: esse, no meu aniversário de 2014; esse, um experimento pro antigo #ilustraday; e no abandonado canal do youtube, esse speedpainting de 2013 (!). Não consigo achar que nenhum ficou minimamente parecido comigo.

página do sketchbook digitalizada com o exercício proposto no Estúdio

De uns tempos pra cá, tenho sido muito encorajada a olhar pra dentro de mim. Esse processo de autoconhecimento, além de ter me agraciado com uma série de descobertas – boas e ruins – sobre mim mesma, acabou se refletindo nas temáticas e bloqueios que tinha com meus desenhos, e comecei a não ver mais tanto problema em me desenhar. No Estúdio, nós fizemos um exercício maravilhoso sobre autorretratos de memória, que a proposta era fazer esse desenho de si sem referência nenhuma. Acho que foi a primeira vez que realmente me senti satisfeita com essa representação.Cada um de nós acaba “se desenhando” um pouco em cada representação de rosto que faz. Em cada desenho, na verdade, mas penso que isso se revela mais nas representações de figura humana. Um ponto intrigante sobre o autorretrato é que parece que ele vai na contramão desse processo de se por inconscientemente no desenho; como se o ato de parar para lembrar dos detalhes de nós mesmos (tomada da consciência) viesse como um susto, um “peraí, o que eu tô fazendo?”. Fazer um autorretrato é se expor, e é também acabar revelando informações sobre nossos sentimentos, nossa autoestima, mensagens do nosso inconsciente – assuntos que geralmente ficam fechados em um bauzinho trancado e escondido.Cada elemento da linguagem visual vira uma chave poderosa para decodificar as mínimas mensagens: a precisão, fluidez e espessura da linha, a escolha das cores, a natureza e arranjo das formas, o tipo de preenchimento… Parar pra pensar nisso pode ser um pouco intimidador, eu acho. Mas também penso que esse bloqueio pode ter relação com o nosso preciosismo, nossa necessidade eternamente frustrada de sermos perfeitos, nosso altíssimo grau de exigência com nós mesmos, a abominação do erro, as dificuldades de abraçarmos nossos demônios.E na mesma medida, tenho pensado cada vez mais que fazer autorretratos é um ato de muita coragem (viva Frida Khalo!). É um enfrentamento a todos esses medos, é se colocar maior que todos eles, no estilo, nas cores e linhas que quiser. Mesmo que alguém diga que “não ficou parecido”, foda-se.  É a tentativa de se traduzir, se despir e se pôr à mostra, à análise, às mais variadas leituras. É um grito, ainda que trêmulo, de uma certeza: eu sou alguém na imensidão!

Fiz questão de inserir os autorretratos em ordem cronológica nesse post. Eu percebo como essas representações se “embonitaram” a cada nova execução (o exercício árduo de cultivar o amor próprio aparenta estar dando frutos!). Todos (com exceção dos feitos no exercício do Estúdio) nasceram de forma muito despretensiosa e espontânea. No sketchbook, ainda mais, me sinto muito livre para experimentar materiais e cores fora da minha zona de conforto, e acho que dá pra ver um pouco desse desprendimento da expectativa que a gente acaba criando sobre a obra finalizada, aproveitando muito mais o processo, a diversão e prazer que é o ato do desenho em si.Tenho ficado cada vez mais curiosa sobre as interferências que o autoconhecimento e seus insights fazem na minha produção artística, e queria encorajar você, que está lendo esse post, a manter um hábito de fazer autorretratos. Se você não desenha, tenta uma fotografia, arrisca uma edição de imagem, uma colagem, escreve um texto, uma melodia no violão. É muito impressionante como isso pode ser uma ferramenta de descobertas, de comunicação incrível entre você e você mesmo, que não se esgota mesmo com o passar dos anos. :~)

 


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