5 setembro 2014 arquivado em: Blog
Esse post é segunda parte das minhas experimentações com aquarela líquida. Para ler a primeira parte do post, com minhas primeiras impressões, pode clicar aqui 🙂 Ah! Esse post não é um publieditorial, tá? Tudo que vocês vão ler abaixo são apenas minhas opiniões baseadas nas minhas experiências.



Como prometi pra vocês no primeiro post dessa sequência, hoje trago pra vocês uma ilustração colorida à aquarela líquida, com minhas percepções e considerações ao longo do processo. Fiquei com muito medo de “sacrificar” o desenho que fiz assim que saí da minha primeira prática de Yoga (clica aqui pra ver no instagram!), mas precisamos encarar nossos medos de frente, né?


Antes de começar a pintar, separei dois godês com as cores que iria utilizar no fundo da ilustração: deixei um godê apenas com cores frias, e outro para as quentes. A minha primeira dificuldade apareceu logo no background: ao tentar fazer o degradê de cores, percebi que o lilás, mesmo estando em uma mistura bem próxima ao primeiro azulzinho, ficou bastante marcado, e a passagem de uma cor para outra não ficou nada suave. À medida que foi secando, percebi que o lilás meio que se revelava sobre o azul. O mesmo fato se repetiu com o azul royal, ali embaixo, o que me levou a crer que alguns pigmentos são muito mais fortes que outros, e que você precisa diluir ainda mais antes de acrescentar à sequência de cores.
Outra coisa que notei logo de início é que esse tipo de aquarela seca muito rápido, o que me rendeu várias manchas indesejadas, além da discrepância da passagem de cor de um lado para o outro. Também achei mais fácil fazer a passagem de cor entre tons mais escuros: o degradê do azul royal para o roxo, ali embaixo, ficou bem do jeito que eu estava esperando.

Encontrar uma cor de pele decente foi uma luta à parte! Fazer a tradicional misturinha de laranja + verde não funcionou, e acredito que graças à super pigmentação do vermelho. Todas as misturas que fiz, depois de secas, sempre ficavam avermelhadas! Tentei acrescentar mais verde, depois mais amarelo que vermelho, mas não funcionou. A cor de pele que chegou mais próxima do que eu queria foi a da mão que segura a flor (do lado direito do desenho), mas ainda não ficou do jeito que eu estava imaginando. Mais uma vez, senti muito a falta de um conta gotas.
Nessas tentativas de neutralizar o vermelho, o rosto da minha ilustração acabou ficando super colorido e pigmentado – o que deu um resultado bem interessante, mas bem distante do que eu estava almejando.
A minha câmera não conseguiu captar direito, mas a região do rosto e pescoço da ilustração ficou bem avermelhada. Em contrapartida, as mãos ficaram numa coloração mais alaranjada, e a pele dessa moça acabou ficando toda heterogênea. Eu queria muito ter atingido um meio termo entre o resultado do rosto e o da mão que segura a flor, mas acho que isso requer muito – muito, muito, muito – mais treino.
Sei que o desafio era preencher toda a ilustração com a aquarela líquida, mas chegou um ponto em que eu não sabia mais o que fazer! Diferente das outras aquarelas que já testei, essa é incrivelmente mais difícil de corrigir (nota: já é extremamente difícil corrigir um errinho quando se usa aquarela de bisnaga. Corrigir com aquarela líquida é ainda mais), e os pigmentos ficam muito mais impregnados no papel, principalmente o vermelho – então, por mais que você passe água, que passe uma segunda camada de cor, o vermelho parece sempre ser o tom dominante, uma vez usado. Argh!


E aí dei início às minhas intervenções com marcadores permanentes: usei os da Staedtler para os contornos em preto, e Posca e canetinha gel para os detalhes em branco. Depois, fiz as listras no quimono da moça com uma segunda camada de laranja, e foi só depois disso que fiquei mais contente com o resultado final da ilustração.
Ah! Outra coisa que percebi foi que, por mais que você deixe uma camada/parte preenchida com aquarela secar, quando você passar uma nova camada encostando na anterior, essa nova camada vai “arrastar” a cor do lado para si. Aconteceu quando passei a primeira camada de laranja no quimono: o laranja trouxe um pouco do azul para dentro.
Depois de ter finalizado a ilustração, eis algumas “lições” que aprendi: eu poderia ter dispendido mais tempo para praticar tons de pele, até chegar em algo que me agradasse, ao invés de “testar direto” na ilustração; essas aquarelas líquidas são mais irreversíveis do que o de costume, e uma vez que você faz algo “errado”, não tem mais volta. Na verdade, poderia “gastar” mais tempo treinando misturas de cor, em geral, porque achei bem complicado de fazer com a Aqualine (em algumas misturas, era como se cada pigmento tivesse uma densidade diferente, deixando a mistura heterogênea).
Também teria agido de modo diferente em relação à transparência: teria deixado as cores ainda mais diluídas em água, e assim seria mais fácil “corrigir” ou reparar algo que tivesse saído fora do planejado. A aquarela líquida mancha muito! Minha mesa ficou cheia de manchas e respingos – principalmente vermelhos -, e meus braços e mãos também; as manchas em lilás e azul saíram facilmente do meu corpo com lenços umedecidos, mas as vermelhas ainda estão aqui para contar história.
Em outros tempos, acho que eu teria ficado bastante zangada com a maneira com que as coisas foram se desenrolando ao longo da pintura, principalmente da do rosto! (!!!) Mas hoje em dia – e acho que a aquarela foi uma grande professora nessa “evolução” -, tudo isso se converte em aprendizados e em uma vontade, que se confunde com teimosia (tenho ascendente em Touro, there’s nothing I can do), de tentar de novo até aprender direitinho. Ou seja: existe uma grande possibilidade de aparecer uma parte três dessa minha saga com a aquarela líquida! Ah, e eu vou dizer pra vocês que amei essa proposta de pele mais colorida! Com certeza vou tentar fazer algo assim nas próximas ilustrações (com menos vermelho. bem menos!). ♥
Mas agora é a vez de vocês me contarem o que acharam de tudo! Se concordam com minhas considerações sobre a aquarela líquida e se têm algo a acrescentar. Pessoas que testaram outros tipos/marcas de aquarela líquida, por favor, deixem suas considerações nos comentários! E se alguém tiver ficado empolgado pra testar a aquarela líquida, não deixe de me contar, hein?
Beijos pra vocês e até o próximo post!




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amaram
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