31 agosto 2014 arquivado em: Blog ilustrasunday
Não tenho o hábito de postar coisas sobre mim aqui no blog (só em posts do Rotaroots), mas a ilustração de hoje tem um significado muito importante pra mim – na verdade, vários -, e achei que seria bacana compartilhar esse contexto com vocês. 🙂

Quem me acompanha no facebook e no instagram já sabe: precisei ficar um tempo afastada das redes e do blog porque estava muito envolvida em um projeto pessoal que, se desse certo, seria incrível pra mim. Mas aí é que tá: não deu certo. E foi péssimo. Eu me preparei, me dediquei e abdiquei de quase tudo para mergulhar de cabeça nessa oportunidade, e tudo terminou de uma forma tão horrível, mas tão horrível, que senti até vergonha.

Perdi uma das maiores oportunidades da minha vida, falhei por pura inocência, nervosismo e inexperiência. Fui desclassificada, eliminada de um sonho que esteve adormecido durante todos esses anos de academia e vida profissional, e que acordou com o susto de um prazo de duas semanas para ser realizado. Mas essa não foi a pior parte. O simples fato de eu ter entendido minha eliminação a torna mais fácil. A pior parte aconteceria milésimos de segundos depois da eliminação.

Em uma das provas mais importantes da minha vida, recebi uma acusação que me paralisou no primeiro instante, e que começou a me despedaçar nos momentos seguintes – enquanto eu ainda estava paralisada. A acusação foi de pesca (cola, trapaça). Eu, que sempre tive a honestidade como um dos meus principais pilares.
Eu, que enquanto aluna daquela Universidade, dei o melhor de mim, me envolvi completamente em quantos projetos quanto pude e, nos 45 minutos do segundo tempo, chorei de desespero e de medo de não estar contribuindo com a comunidade acadêmica. E uma voz sempre presente, mas que nunca tinha se mostrado tão tenra, me provou o contrário. E me despedi da faculdade com a certeza de ter construído uma boa reputação e ter somado o máximo que pude, em todos os sentidos possíveis.

E então as coisas estavam se despedaçando na minha frente, o chão desaparecendo lentamente, a vista ficando turva, a garganta apertando. Eu havia sido acusada de algo que jamais fiz em toda a minha vida, de uma maneira tão rude e injusta, que minha única alternativa foi deixar toda aquela carga negativa escorrer pelos olhos. Cheguei em casa inflada de tanta raiva e tristeza!
Essa ilustração foi uma das maneiras que pude colocar pra fora tudo o que estava sentindo. Pela primeira vez em muito tempo, dediquei um dia inteiro a uma ilustração. Mas ela precisava ser demorada, porque a dor precisava ser sentida, tratada, compreendida e, por fim, expelida. Um dia inteiro sem comunicação, um dia de isolamento. Das poucas pessoas com quem falei sobre esse projeto, só sentia vergonha. Vergonha por tê-las desapontado. Por, nesse momento, não ser a pessoa inspiradora que elas conhecem. Por oferecê-las tristeza e preocupação ao invés de felicidade e orgulho.
Mas essa ilustração não fala só de tristeza e de raiva. Ela fala de uma consciência tranquila, e fala de alguém que está imersa demais em seus princípios para se deixar abalar por falsas acusações, pela crueldade do outro. 
E como aprendizado e recompensa por tudo isso, ficou o crescimento pessoal e o autoconhecimento. Mas, mais que isso, uma felicidade desmedida de quem recebeu suporte da família, do amor e dos amigos, os de perto e os de bem longe. Cada nova demonstração de afeto era motivo para os olhos ficarem inundados, sim, mas dessa vez de felicidade. Fui surpreendida pelo tanto de carinho que recebi nesses dias: carinho físico, escrito, verbal e visual. 
Não tenho como não finalizar essa história agradecendo muito, muito mesmo a todo mundo que esteve e que se fez presente nesses momentos tão angustiantes. E também não posso esquecer dos que estiveram torcendo por mim, mesmo sem fazer ideia do que se tratava o projeto. Sou imensamente grata por todas essas pessoas incríveis que tenho ao meu redor. A vida fica mais fácil com vocês por perto. Essa ilustração é pra vocês. ♥

Os materiais utilizados nessa ilustração foram lápis de cor comum, tinta acrílica dourada Pébéo, caneta gel e paetês sobre papel Canson Vivaldi azul, que é uma delícia de se desenhar e colorir: o lápis de cor desliza lindamente.
E esse foi mais um #ilustrasunday! Espero não precisar mais parar o projeto e voltar a trazer novas ilustrações aos domingos de vocês 🙂 E espero também ter passado algo pra vocês com essa história toda.
Se você leu tudinho, vem aqui embaixo me contar o que achou de tudo e me dar um abraço virtual! <3
Um abraço em cada um, um bom domingo e uma ótima semana 🙂
tags:
0
amaram
    Sketchbook #9: (mais) colagens
    Sketchbook #6: colagens e experimentos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

29 Comentários

Receba atualizações sobre cursos, eventos, atualizações no blog, novos produtos e promoçoes na lojinha direto na sua caixa de entrada! ps: sem spam, só amor <3
Receba atualizações sobre cursos, eventos, atualizações no blog, novos produtos e promoçoes na lojinha direto na sua caixa de entrada! ps: sem spam, só amor <3
Todas as imagens e conteúdos presentes neste site são de autoria de Juliana Rabelo, exceto quando sinalizadas.
Copyright © 2013 - 2020 Juliana Rabelo. Todos os direitos reservados